sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Algo de novo

No espaço de uma hora, tive dois clientes a dizer que é bom que me mantenha neste cargo, que não há muitos como eu e que sou um exemplo para o serviço da Apple. Admito que nunca tinha ouvido isto desta forma, mas deixa-me a pensar...

Primeiro, como podem eles estar tão iludidos sobre a minha simpatia?! Devo ser um actor e pêras, ao telefone... < irony mode /off>
Segundo, que isto de ser bom no que se faz é muito subjectivo, principalmente quando se reduz uma avaliação do desempenho a números debitados numa tabela de Excel.
Terceiro, que não faz sentido que eu esteja farto do emprego e que continue a receber este tipo de comentários. Não quero os incentivos, não aqui, não agora. Não é bem disto que preciso, embora saiba muito bem no momento em que chega.
Enfim... é pena que estas coisas sejam inconsequentes e nunca cheguem aos ouvidos certos.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

HGSA e a incompetência

A minha primeira experiência numa consulta externa do Hospital de Santo António foi surreal. Não fui a uma consulta pela porta do cavalo, estava tudo marcado e oficializado e, ainda assim, acabou por ser um problema. Senão, vejamos:

- atravessar o hospital de uma ponta a outra para sair outra vez e ir para uma unidade que fica a 100 metros do mesmo
- avisar uma das administrativas de que a médica que estava no gabinete que me foi indicado não era a que me ia atender
- ter recebido duas respostas (de duas pessoas diferentes) de que não havia nenhuma irregularidade e que tinha de aguardar
- hora e meia depois, ver sair a médica que estava no tal gabinete, apagando e luz e fechando a porta
- constatar que os serviços administrativos já estavam desertos
- descobrir, por portas travessas, que a médica que me ia ver tinha ido embora antes da minha consulta... para dar uma aula
- ficar impedido de reclamar ou remarcar a consulta, dado que não havia ninguém naquele serviço

Cereja no topo do bolo: ter pago € 4.50.

Muito naturalmente, segue a necessária reclamação.


Ainda que o pior de tudo, para o qual não há reclamação possível, foi ter perdido um pouco mais de mim no processo.

sábado, 23 de outubro de 2010

Imutável

De que vale estarmos a iludir-nos? Somos o que somos. No final, a verdade revela-se sempre.
Eu não mudei.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Traffic signs

Há uma velha fábula paquistanesa que diz que um boi que andava a pastar viu um pássaro a morrer de frio e, pegando nele cuidadosamente com os dentes, o foi largar sobre um monte de estrume quentinho. Já recuperado, o pássaro começou a cantar, atraindo a atenção de um gato que passava por perto. O gato apertou-o entre as garras, retirou-o do estrume, passou-o por água e engoliu-o inteiro.
A moral da história, dizem, é que quem te põe na merda nem sempre te quer mal e quem te tira da merda nem sempre é teu amigo.
Sobre esta fábula, confesso, não sei duas coisas: primeira, não sei se é mesmo uma fábula. Segundo, não sei se é paquistanesa. Há relatos de que pode ter tido origem nas ilhas Fiji.

De qualquer das formas, toda esta conversa está aqui em jeito de introdução, demonstrando que nem tudo tem de ser necessariamente mau numa pilha de estrume.
Acabo de chegar a casa, depois de ver o "Comer, Orar, Amar", e confesso que não fugiu um milímetro às minhas expectativas: é mesmo mau. Em tantos sentidos: falhas básicas de realização (planos de 0,5 segundos? a sério...?), personagens previsíveis, chavões, a distorcidíssima imagem que fazem passar de Itália - o que é estranho, dado que esta é, diz-se, o relato de uma experiência vivida pela própria autora -, a má pronúncia do português-brasileiro do Javier Bardem, o facto de o dito Bardem fazer de brasileiro (não havia um único actor brasileiro disponível?)... enfim, pode-se atacar por tanto lado que este blog não chegava para tudo.
Mas a ideia não é bater no ceguinho. A escolha foi minha (para fazer a vontade a um sorriso do tamanho do Mundo) e, como tal, a única coisa que tenho a dizer é um sincero "não gostei".

Ainda assim, e porque mesmo no meio do que é mau se pode encontrar algo certo (cá está a introdução a fazer sentido), há uma passagem que guardei e que já tinha para mim como verdadeira muito tempo antes de o livro sequer existir. Diz mais ou menos isto: "deixa que qualquer situação, qualquer pessoa, qualquer momento, por despropositado que pareça, te sirva de mestre".
É uma base que tenho adoptado desde há muito e a verdade é que, a ano e meio dos 30, já não custa entender que tudo tem um propósito e que, ainda que pareça baralhar as contas em determinado momento, acaba sempre por revelar os seus propósitos. Mesmo que esses se resumam a mostrar que estamos enganados e que o caminho que escolhemos não é mais do que um épico erro.
De certa forma, não há como escapar: tudo aquilo de que me queixo na minha vida está a ajudar-me, dia após dia, a definir claramente o que quero para mim.

E eu permaneço firme no objectivo de mudar. Por dinheiro, por gosto, por vocação, por ela.
Por mim.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Lucidez

O Record publicou, há uns dias, umas interessantíssimas declarações de Carlos Móia a respeito do espírito de guerra instalado no futebol.
Começou por explicar o porquê de ser natural de Ovar e apoiar o Benfica:

“Ser do FC Porto era ser o que o FC Porto era: um clube a fechar-se dentro de uma região, a olhar todo o resto de Portugal como um espaço de inimigos em delírio, de mouros a abater. O Benfica dava-me a imagem oposta: a ilusão de um universo sem limites. (...) Se o FC Porto ganhou mais do que nós, não soube aprender a ganhar o que ganhou.”

Não virando a cara a quem acusa o Benfica de ser o clube do regime, Móia foi peremptório:

“Naquele tempo, ser Benfica era escolher simbolicamente a liberdade. Enquanto os nossos adversários tinham a dirigi-los homens da Legião, deputados da União Nacional, magnatas e burocratas enfeudados no salazarismo, nós, no Benfica, tínhamos presidentes que tinham sido operários e sindicalistas, que tinham sido deportados e perseguidos pela PIDE, que não se resignavam à ditadura, antes pelo contrário. (...) Não, o Benfica nunca foi o clube do regime, foi sempre o clube que o regime teve de suportar a contragosto e de que, depois, se apoderou para, na sua propaganda, lhe parasitar a glória.”

A fechar, isto:

“Acusaram-nos de sermos ridículos por ameaçarmos não jogar no Dragão se não nos derem condições de segurança. Ridículos? Só assim, levando essa nossa luta para além dos 3 pontos que estão em jogo, poderemos ganhar o que é preciso ganhar: a batalha por um futebol mais respirável, menos subterrâneo. Onde a viagem a um estádio não se transforme na vertigem de uma intifada com meia dúzia de aprendizes de talibãs escondidos a rirem-se dos vidros partidos, dos desaforos, dos insultos, do sangue talvez”

E desculpem-me os que já estão irritados com as citações anteriores, mas discordar desta é virar costas ao futebol.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

E hoje...

é dia de repetir concerto:


sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Desanimado

Não há muito mais para dizer.
Desanimado e sem soluções à vista, ainda a fazer algo que tinha jurado que não.
Admito que estes não têm sido os melhores dos meus dias.