sábado, 31 de janeiro de 2009



Comprar mobília nova é um exercício que, para além de físico, pode levar-nos a tempos onde há muito já não entrávamos. No processo de esvaziar armários e gavetas velhos, é impossível não dar de caras com papéis, rabiscos, histórias inteiras escritas em Word 95 e mandadas imprimir numa das primeiras HP a jacto de tinta que habitaram esta casa.
Histórias de viagens, do dia-a-dia, de amores e sobretudo desamores que passaram, tiveram o seu tempo e lentamente se esvaíram em memórias poeirentas. É engraçado ver como tudo, nos idos de 98, parecia tão definitivo, tão this is it!. Nunca haveria de perder contacto com aquelas pessoas porque era a minha turma, gente altamente e impecável com quem se viveu as primeiras saídas à noite, primeiras bebedeiras (eles, pelo menos...) e as primeiras viagens de vários dias longe da asa da família.
E depois, certo como 2+2, acabamos a perguntar-nos o que será feito dessas pessoas e como é que o mundo conseguiu levar cada um para seu lado sem que nos apercebessemos disso. (E nem é preciso ir a 98 para sentir isto mesmo...)
Mas, no meio de tudo, há sempre alguma coisa ou alguém que se safa. Da mesma forma que pegamos em montes de papéis velhos e nos sentamos a uma mesa - ou no meio do chão - a escolher aqueles que queremos salvar do ecoponto azul, também algumas pessoas acabam por ficar connosco ao longo do tempo. E, quando paramos para pensar, temos já 15 anos de histórias paralelas, que nunca se tornaram numa única em comum, mas que jamais deixaram de andar lado a lado. E sorrir é tudo o que nos resta.

PS - também podemos cair no lugar comum do "estamos a ficar velhos". E estamos. Mas a pedalada ainda dá para acordar às 11h30 de uma quinta e ir dormir às 5h45 já de sábado.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

A música do dia [de ontem]


Sentenced
The End of The Road
The Funeral Album (2005)