segunda-feira, 27 de março de 2006

Uma História de Violência


Andava a saltar de blog em blog, ontem à noite, quando este post despertou a minha vontade de ver Uma História de Violência. O trailer, a que já tinha assistido há uns dias, não me tinha aquecido nem arrefecido, mas lá decidi pegar no casaco e ir ver o filme.
Estava à espera de mais, confesso. Não digo de melhor porque não fica qualquer dúvida sobre a grande qualidade da criação de Cronenberg, mas falta decididamente qualquer coisa para que seja um filme forte, com o impacto, por exemplo, de um Crash. Exceptuando as três sequências que dão nome ao filme - e de que forma, já que alguns planos são explícitos até dizer chega - e duas outras de "violência conjugal" (entenda-se, sexo), a acção decorre sempre em lume brando, numa narração sem pressas que acaba por prejudicar o ritmo da obra e manter a atenção do espectador, a espaços, presa por um fio muito frágil.
Cronenberg consegue, em Uma História de Violência, lançar ao público um motivo de reflexão sobre as consequências de acções passadas e sobre a validade dos meios que permitem manter o presente tal como ele é. A dupla identidade de Tom Stall (ou Joey Cusack) mostra quão ténue pode ser a fronteira entre uma reconversão bem sucedida ou uma vida de mentira, cabendo ao espectador julgar a personagem de Viggo Mortensen pelas opções tomadas.
Para quem é alérgico a finais em aberto, talvez não seja má ideia sair uns minutos antes... de qualquer das formas, terá de usar a imaginação para dar um desfecho bem definido à história.
Uma História de Violência é um óptimo filme, realizado de forma inatacável e interpretado por um elenco soberbo que não admite qualquer reparo ao nível da sua prestação. Mais um dos (muitos) títulos que, recentemente, se têm candidatado a um lugar na colecção de DVDs.

quarta-feira, 22 de março de 2006

Cinéfilo, eu?

O post 150 deste antro degrandante fala de cinema. Ontem enchi-me de coragem e fui a duas sessões de seguida. Aproveitei a promoção do Dia C do Bragashopping, meti o carrinho no parque e fui ver Crash e Coisa Ruim.


Crash é um filme brutal em todos os sentidos. Primeiro pela abordagem frontal e descomplexada que faz ao racismo, retratado em formas que vão além do clássico choque branco/preto e que ilustram as dificuldades que cada etnia enfrenta para sobreviver na amálgama de culturas que é L.A.. Depois, pela mestria com que nos obriga a pensar sobre o que estamos a ver, sem que isso implique um esforço da nossa parte para acompanharmos a história e entendermos o que se passa. É um filme que levanta questões sobre a natureza humana, estereótipos, subversão das noções de bem e mal em favor de ambições pessoais e avaliações que fazemos das acções alheias. Os desfechos são quase sempre dramáticos, o que leva Crash a assemelhar-se à vida real de uma forma que chega a roçar a perfeição.
Fui vê-lo por acaso... e bem se pode dizer que há acasos que fazem todo o sentido.


Coisa Ruim deixava-me na expectativa. Confesso que não fui grande entusiasta da ideia desde o primeiro momento e levei algum tempo até ter vontade de vê-lo. Primeiro, porque se trata de uma produção portuguesa e, confesso, não são estes os filmes que mais me puxam para dentro de uma sala de cinema. Em segundo lugar, porque o anunciado género não é o meu favorito. Ainda assim, acreditei que pudesse ser interessante, principalmente depois de algumas críticas e opiniões favoráveis que fui lendo e ouvindo.
Felizmente não fui enganado. Coisa Ruim pega numa família lisboeta dos nossos dias e larga-a à sua sorte nas profundezas da beira interior, território serrano onde Deus e o Diabo travam épicas batalhas quando o Sol se esconde. Terra de crenças e folclore profundos, onde a superstição é unha com carne com a realidade.
A velha casa que Xavier herda de um tio-avô esconde uma história macabra que remonta a tempos anteriores à sua própria construção. Mergulhada num mundo de mitos e crenças populares, a família Oliveira Monteiro vê-se obrigada a lutar contra fantasmas do passado e do presente para se manter unida, mas acaba por pagar um preço muito elevado pelas acções dos seus antepassados.
Rodrigo Guedes de Carvalho disse inúmeras vezes que pretendera escrever um filme que desmistificasse a ideia do terror com muito sangue e violência, palavras que bem se compreendem depois de visto Coisa Ruim. A história é extremamente cativante e mantém o espectador ansioso por ver o que vem a seguir e no que todo aquele jogo de crendices vai resultar. Não se trata apenas de uma "história de fantasmas", mas também de uma excelente análise da forma como a ideia do sobrenatural e o poder de sugestão de crenças antigas podem afectar a vida de uma aldeia. A espaços, consegue ser desesperantemente lento - apetece dizer "tipicamente português" - mas nunca se torna desinteressante. Mérito para argumentista e realizadores, mas também para um elenco que, sem estrelas, desenvolve um trabalho sólido e credível, ainda que os diálogos iniciais pequem pelo tom demasiadamente falso.
Acho, apesar de tudo, que o filme perde algum interesse quando abandona a ideia sempre latente de desmitificação do sobrenatural para cair na sua aceitação e materialização. Evitável, do meu ponto de vista, mas perfeitamente aceitável se nunca esquecermos de que se trata de uma obra de ficção. Penso que Coisa Ruim não terá o sucesso de bilheteira alcançado pelo Crime do Padre Amaro, mas não existe comparação possível entre ambos. Coisa Ruim é muito, muito superior.

terça-feira, 21 de março de 2006

Hã???

Os meninos da novela vão abrir o Rock in Rio. Falem-me de expectativas baixas...

segunda-feira, 20 de março de 2006

Espaço a mais

Cheguei a este quarto há quase três anos, depois das obras cá em casa. Hoje fiz a primeira mudança nas fotografias que tenho por aqui espalhadas. Muito estranho... está um vazio muito grande.

quarta-feira, 15 de março de 2006

Hoje...


... é dia de passeio.

sexta-feira, 10 de março de 2006

quinta-feira, 9 de março de 2006

A noite em que o inferno gelou

Passei os últimos 15 dias a ouvir publicidade enganosa. Que o Benfica não jogava a ponta de um corno, que o Liverpool podia bem ter-nos enfiado quatro, que os golos estavam todos guardados para a segunda mão, que Anfield ia ser um inferno. Afinal chega o dia do jogo e... nada! Tudo promessas ocas.
Anfield foi um bom inferno para guardar gelados; o Liverpool... OK, pressionou-nos durante um bom bocado e até mandou duas bolas ao ferro, mas esteve longe de ser uma equipa temível e avassaladora, daquelas que nos deixa a tremer só de ter a bola nos pés; e os quatro golos e essa treta toda... tretas, mesmo! Mas já começo a estar habituado à boca larga dos ingleses (e de alguns portugueses que por aí andam).

A verdade do jogo de ontem é que o Benfica foi magistral, mais ainda do que na primeira mão. Admito que, há 15 dias, tivemos alguma sorte na forma como chegámos ao golo, num lance de bola parada depois de 83 minutos em que a defesa foi o sector com mais trabalho. Ontem, porém, foi diferente. Já se sabia que a defesa ia voltar a ter muito trabalho, não só porque o Liverpool ia pressionar, mas porque havia uma vantagem a defender. Até aos 20 minutos, a coisa pareceu-me um pouco mal parada... havia muitos jogadores apáticos e o Nuno Gomes a distribuir jogo estava um zero perfeito. A defesa também ia dando algumas ofertas e receei que a coisa pudesse correr mesmo mal, até porque levámos com uma bola no poste logo aos 10 minutos. Mas depois o filme foi-se compondo. A defesa começou a acertar e o Benfica ganhou espaços, chegou-se à frente e, à meia-hora, podia ter marcado, não fosse o genial remate de Geovanni ter batido caprichosamente na trave. A equipa motivou-se e levou apenas cinco minutos a ganhar uma bola em zona de ataque, que fez chegar aos pés de Simão. O capitão, como quem não queria a coisa, "abusou" de três defesas da casa e disparou ao canto superior esquerdo da baliza de Reina, que bem se esticou mas já só a viu lá no fundo.
Festa no sector português, reforçada pela necessidade de um Liverpool pouco concretizador alcançar três golos para dar a volta à coisa. A toada manteve-se, na segunda parte, mas era visível que os 'reds' já não acreditavam. A pressão era menor a cada minuto e o Benfica começava a ganhar a confiança de quem tem pé e meio na fase seguinte da competição. Defendendo sempre exemplarmente e procurando o ataque com segurança, os da Luz roubaram toda e qualquer réstea de esperança a um Anfield vergado aos cânticos de vitória dos 2500 portugueses presentes na bancada.

Quando Miccoli, aos 88, num misto de talento e acrobacia, coloca a bola fora do alcance de Reina para o 2-0, foi apenas a confirmação daquilo que há muito já se sabia: o Benfica estava apurado, entrando no lote das oito melhores equipas europeias e provando, para além de qualquer sombra de dúvida, que o Liverpool de Benítez nunca foi adversário à sua altura.
Festa em Portugal, um milhar de adeptos às cinco da manhã no aeorporto de Lisboa para receber os heróis de Anfield e, amanhã, todas as atenções centradas em Paris, acompanhando o sorteio dos quartos-de-final da Liga dos Campeões, onde (espero eu) o nome do Arsenal seja também o do próximo adversário do Benfica.

domingo, 5 de março de 2006

PVT


Apesar das horas, dos 3 graus e do sono... quero mais gomas! :) E isto não fica por aqui, ai não, não! :p

sábado, 4 de março de 2006

Impressão digital


É bem capaz de ser a capa mais infeliz desta época...

quarta-feira, 1 de março de 2006

Interrogações existenciais

Terça-feira tenho uma entrevista de emprego em Lisboa, para um estágio profissional. Já não é a primeira... fez ontem precisamente uma semana que lá estive pelo mesmo motivo, ainda que não se trate do mesmo emprego. Ora, como é do domínio público - e, se não é, isso só prova que ninguém liga puto aos perfis do blogger que aparecem ali à direita -, eu estou desempregado e qualquer oportunidade de trabalho deve ser agarrada com unhas, dentes e qualquer outro objecto preênsil/cortante/dilacerante que esteja à mão. No entanto, também há que ter em conta que estou desempregado (não sei se já tinha dito...), o que torna qualquer ida a Lisboa num investimento avultado. Se a probabilidade de este encontrar retorno sob a forma de contrato de trabalho ronda 1:49, a de esse retorno provir de fontes familiares não será muito melhor, já que elas possuem, naturalmente, as suas próprias restrições orçamentais.
Posto isto... o que é que eu faço, porra?!? :p