domingo, 26 de fevereiro de 2006

Deus não dorme!



Na época passada, Petit disparou de longe para um frango monumental de Baía. Olegário Benquerença e o auxiliar vieram em socorro dos portistas e anularam um golo que tinha tudo para ser validado, incluindo a lei que consagra o benefício de quem ataca.
Dezasseis meses e nove dias depois, a justiça foi "reposta". Quis o destino que Helton, depois de uma série de boas exibições, se lesionasse num treino, deixando caminho aberto para o regresso de Baía. Quis o mesmo destino que Laurent Robert, qual Roberto Carlos, num livre a 40 metros da baliza, disparasse uma bola curva que bate no chão à frente do homem dos 400 jogos, passando-lhe por cima da mão direita e parando no fundo da baliza. Uma fotografia que vai direitinha para o álbum de recordações dos benfiquistas!

Foi uma enorme vitória que, em termos de campeonato, pode nem vir a adiantar nada, já que o nosso atraso para o líder continua a ser considerável, dado o número de jogos que faltam disputar. Mas uma vitória destas sabe sempre bem. Não apenas pelo nome do adversário - que, obviamente, também ajuda -, mas também pela forma como foi conseguida.
Poderão alguns dizer "jogo fraco, foi um lance de sorte e o Benfica não fez mais nada". Eu discordo. Primeiro porque o Benfica fez mais do que marcar um golo. A defesa da Luz foi uma muralha intransponível para o ataque do Porto e, nisso, há que dar todo o mérito ao quinteto brasileiro, que "secou" Quaresma, McCarthy, Hugo Almeida, Lisandro, Adriano e o sempre perigoso Lucho. O argentino, tantas vezes maestro do conjunto nortenho, foi sempre elemento apagado, distante do jogo e - felizmente - de uma boa exibição. Defender é parte do jogo e, por estes dias, em Portugal, será muito difícil encontrar quem o faça com maior mestria que o Benfica.
Em segundo lugar, porque não tendo sido um jogo espectacular - ainda que alguns bons momentos tenham surgido lá pelo meio -, tratou-se de uma partida muito intensa, onde qualquer falha podia ditar alterações no marcador. E aí é preciso realçar a forma como o onze encarnado soube lidar com a pressão, não baixando a guarda e procurando ameaçar a baliza de Baía sempre que possível.
Os pontos ficaram em casa e a discussão pelo título está relançada. Esperemos agora que o Benfica saiba dar continuidade a estes resultados positivos e não desate a estragar tudo frente a uma Naval qualquer...

Post ao intervalo

Apesar do penalty roubado, de uns cartões que ficaram por mostrar aos tripeiros (dos quais uma expulsão ao cigano) e da habitual azia do Coroado, este jogo já me permitiu perceber porque é que os adeptos azuis levaram máscaras contra a gripe das aves: foi por causa do frango que o Baía soltou mesmo ao pé deles.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2006

Campeões europeus


Hoje só tenho força para isto. Amanhã digo mais.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2006

Retrato da administração do país real


Tenho andado a enviar várias candidaturas ao PEPAP, o programa de estágios profissionais na administração pública. Várias é pouco. Muitas. A maior parte delas só segue para não ficar com peso na consciência, uma vez que, estando inscrito há menos de três meses no centro de emprego, as hipóteses de conseguir sequer passar à fase de entrevista andam bem perto de valores negativos.
Adiante. Agora que alguns dos resultados começam a ser publicados, não deixa de ser interessante analisar a (fraca) imagem que algumas instituições transmitem, principalmente a nível do cumprimento das regras. Nos prazos, por exemplo, o defeito é quase geral. Salvo duas ou três excepções, todos os organismos excederam os dez dias úteis de que dispõem para a publicação dos resultados. A maior parte dos "prevaricadores" atrasou-se um ou dois dias, mas há casos, como este, cujo prazo expirou há mais de meio mês e listas... nem vê-las. Eles bem tentaram, coitados, publicar na última semana. Até puseram um aviso, datado da última terça, a explicar que os resultados iam ver a luz do dia até ao fim da semana em questão. Até ontem, nada. Hoje tiveram, pelo menos, a dignidade de retirar o aviso.
Mas há mais casos de incumprimento de datas. Aqui está outro que foi publicando resultados a conta-gotas. Como é óbvio, e porque nestas coisas eu sou sempre um tipo com sorte, a lista referente à função a que me candidatei ainda está não se sabe bem onde, devendo chegar não se sabe bem quando. Nisto dos atrasos, para o rol ficar completo e ninguém se rir do parceiro, falta-me referir estes, cujo prazo terminou ontem.
Por esta coisa do PEPAP, regulamentos inventados na hora também não faltam. Nesta força de segurança, a minha candidatura foi excluída por um critério que, simplesmente, não aparece em nenhum regulamento. Ainda pensei em reclamar mas - sejamos realistas - as minhas hipóteses de com isso ganhar alguma coisa que não dores de cabeça são muito, mas mesmo muito reduzidas. Engoli o sapo e passei à frente, consciente de estar a ser um péssimo exemplo de cidadão.
Para fechar, faço também referência a estes senhores. Estes senhores, responsáveis por uma parte considerável da saúde da nação (oh, Deus!!), não só se atrasaram na publicação dos resultados, como também cometeram a proeza, contra o que é indicado no regulamento do programa e no código de procedimento administrativo (espero não estar a dizer asneira), de não separar os candidatos por lista A, lista B e excluídos. Rabiscaram para lá o nome dos (neste caso, das) que foram admitidos a entrevista e os outros que decidam em que grupo querem ficar.
E eu, tudo bem! Para mim pode ser o grupo "A+" - Admitidos Sem Necessidade de Entrevista, Com Remuneração Duas Vezes Superior à do Responsável Máximo Pelo Organismo em Causa. Pensando bem, isto até tem vantagens.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2006